Dormir mal não é apenas cansaço

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Flávia Libonati

Muitas pessoas normalizam noites mal dormidas como parte da rotina moderna. No entanto, o sono é um dos principais reguladores do funcionamento hormonal e metabólico. Quando ele é insuficiente ou fragmentado, o organismo entra em estado de desequilíbrio contínuo.

O corpo interpreta a falta de sono como um fator de estresse.

Sono e regulação hormonal

Durante o sono profundo ocorre a liberação adequada de hormônios como melatonina, hormônio do crescimento e leptina. Esses hormônios participam da recuperação metabólica, da reparação tecidual e da regulação do apetite.

Dormir pouco reduz a leptina, aumenta a grelina e favorece o aumento da fome, especialmente por alimentos mais calóricos.

Cortisol elevado e ganho de peso

A privação de sono eleva o cortisol basal. Esse hormônio, quando cronicamente alto, estimula o acúmulo de gordura abdominal, aumenta a resistência à insulina e dificulta a perda de peso.

Mesmo com alimentação adequada, um corpo privado de sono tende a armazenar energia.

Sono ruim e instabilidade emocional

O sono é fundamental para o processamento emocional. Dormir mal reduz a capacidade de regulação do humor, aumenta irritabilidade, ansiedade e sensibilidade ao estresse.

Por isso, quadros de ansiedade e depressão frequentemente coexistem com distúrbios do sono, reforçando um ciclo de desequilíbrio.

Impacto no comportamento alimentar

A fadiga mental reduz o autocontrole e aumenta a busca por recompensas rápidas. Isso explica por que noites mal dormidas estão associadas a maior consumo alimentar, episódios de compulsão e escolhas menos conscientes ao longo do dia.

O cérebro cansado prioriza sobrevivência, não planejamento.

Ritmo biológico importa

Não é apenas a quantidade de horas dormidas que importa, mas a regularidade e o alinhamento com o ritmo circadiano. Horários irregulares, exposição excessiva à luz artificial à noite e estímulos constantes interferem na qualidade do sono profundo.

Sem ritmo, não há equilíbrio hormonal.

Sono como pilar terapêutico

Cuidar do sono não é um detalhe, é estratégia central de saúde metabólica e mental. Ajustes simples na rotina, alimentação, exposição à luz e manejo do estresse podem gerar impactos significativos no humor e no peso corporal.

Quando o sono melhora, o corpo volta a responder. Tratar hormônios, metabolismo e saúde mental sem olhar para o sono é trabalhar contra a fisiologia. Informação correta transforma escolhas e sustenta resultados reais.