SOMP: Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina

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Flávia Libonati

O que é o SOMP?

Durante décadas, a condição foi conhecida como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), um dos distúrbios hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva.

No entanto, pesquisadores e especialistas têm discutido a necessidade de uma nomenclatura mais precisa. Isso porque muitas mulheres diagnosticadas com SOP não apresentam cistos ovarianos, enquanto outras possuem cistos e não têm a síndrome.

Por esse motivo, surgiu o conceito de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), um termo que busca representar melhor a verdadeira natureza da doença.

Por que o nome mudou?

O antigo nome colocava o foco apenas nos ovários, quando na realidade a condição envolve múltiplos sistemas do organismo.

A SOMP está relacionada a alterações hormonais, resistência à insulina, inflamação crônica de baixo grau, disfunções metabólicas e maior risco cardiovascular.

Ou seja, trata-se de uma síndrome que afeta muito mais do que o sistema reprodutivo.

Principais características da SOMP

Os sintomas podem variar bastante de uma mulher para outra, mas geralmente incluem:

  • Ciclos menstruais irregulares
  • Dificuldade para engravidar
  • Excesso de pelos no rosto e corpo
  • Acne persistente
  • Queda de cabelo com padrão feminino
  • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer
  • Resistência à insulina
  • Aumento da gordura abdominal

Nem todas as pacientes apresentam todos os sintomas.

A ligação entre SOMP e metabolismo

Um dos pontos mais importantes da SOMP é sua forte relação com alterações metabólicas.

Muitas pacientes apresentam resistência à insulina, condição em que o organismo precisa produzir mais insulina para manter a glicose sob controle.

Com o passar do tempo, isso pode aumentar o risco de:

  • Pré-diabetes
  • Diabetes tipo 2
  • Esteatose hepática (gordura no fígado)
  • Hipertensão arterial
  • Doenças cardiovasculares

Por isso, o acompanhamento não deve se limitar apenas à saúde ginecológica.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico e envolve uma avaliação completa dos sintomas, histórico médico, exames laboratoriais e exames de imagem quando necessários.

Os critérios diagnósticos continuam considerando fatores como:

  • Alterações ovulatórias
  • Sinais de excesso de andrógenos
  • Aspecto policístico dos ovários em ultrassom

Mas atualmente existe uma preocupação crescente em avaliar também os aspectos metabólicos da paciente.

Existe tratamento?

Sim.

O tratamento deve ser individualizado e focado não apenas nos sintomas, mas também na saúde metabólica de longo prazo.

As estratégias podem incluir:

  • Mudanças alimentares
  • Prática regular de atividade física
  • Controle do sono
  • Manejo do estresse
  • Tratamento da resistência à insulina
  • Medicamentos específicos quando indicados

O objetivo é melhorar a qualidade de vida, reduzir complicações futuras e restaurar o equilíbrio hormonal.