Quando pensamos em colesterol, muitas pessoas ainda acreditam que basta olhar o valor do colesterol total. Mas a medicina evoluiu.
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025 reforça que a prevenção cardiovascular deve ser individualizada, considerando o risco de cada paciente e utilizando diferentes marcadores para definir a melhor estratégia de tratamento.
Isso significa que duas pessoas com o mesmo colesterol podem precisar de abordagens completamente diferentes.
O que é dislipidemia?
Dislipidemia é o nome dado às alterações nos níveis de gorduras no sangue, principalmente:
- LDL-c (o chamado “colesterol ruim”)
- HDL-c (o “colesterol bom”)
- Triglicerídeos
- Colesterol não-HDL
Essas alterações aumentam o risco de aterosclerose, infarto e AVC quando não são identificadas e tratadas adequadamente.
A prevenção cardiovascular começa cedo
Um dos principais conceitos da nova diretriz é que a aterosclerose é um processo silencioso e progressivo.
Por isso, a prevenção não deve começar apenas quando surgem sintomas ou após um evento cardiovascular. O acompanhamento ao longo da vida permite identificar fatores de risco precocemente e agir antes que ocorram complicações.
Os marcadores que ajudam a definir o risco
Além do LDL-c, a diretriz destaca outros exames que ajudam a compreender melhor o risco cardiovascular de cada paciente:
- LDL-c
- Colesterol não-HDL
- Apolipoproteína B (ApoB)
- Lipoproteína(a) – Lp(a)
Cada marcador fornece informações complementares e pode ser indicado conforme o perfil clínico de cada pessoa.
O tratamento depende do nível de risco
Outro ponto importante é que não existe um único valor ideal de colesterol para todos.
As metas variam conforme a estratificação de risco cardiovascular.
Pacientes com risco mais elevado, por exemplo, costumam necessitar de metas de LDL-c significativamente mais baixas do que indivíduos de baixo risco.
Essa abordagem personalizada permite maior proteção cardiovascular.
Tratamento vai além dos medicamentos
Embora medicamentos como as estatinas continuem sendo fundamentais em muitos casos, a diretriz reforça que o tratamento sempre deve incluir mudanças no estilo de vida.
Entre elas:
- Alimentação equilibrada
- Prática regular de atividade física
- Controle do peso
- Abandono do tabagismo
- Controle da pressão arterial e do diabetes
- Acompanhamento médico periódico
Em algumas situações específicas, medicamentos mais modernos também podem ser indicados para alcançar as metas terapêuticas.
A mensagem principal da Diretriz 2025
A prevenção cardiovascular está cada vez mais personalizada.
Avaliar corretamente o risco, solicitar os exames adequados e definir metas individualizadas são estratégias que ajudam a reduzir significativamente o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares.
Mais do que tratar números, o objetivo é cuidar da saúde de cada paciente de forma completa e baseada nas melhores evidências científicas.