Medicamentos como semaglutida, tirzepatida e outros agonistas do GLP-1 transformaram o tratamento da obesidade nos últimos anos.
As histórias de grandes perdas de peso ganharam destaque nas redes sociais, mas existe um detalhe que raramente aparece nas publicações: nem todos os pacientes emagrecem da mesma forma.
Embora a maioria apresente algum grau de perda de peso, a resposta individual pode variar bastante.
O que são os GLP-1?
Os agonistas do GLP-1 atuam imitando a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo intestino.
Entre seus efeitos estão:
- Redução da fome
- Aumento da saciedade
- Retardo do esvaziamento gástrico
- Melhor controle da glicose
- Menor ingestão calórica
Esses mecanismos favorecem a perda de peso, mas não garantem resultados idênticos para todos.
Existe uma resposta diferente para cada pessoa
Nos estudos clínicos, sempre existe uma grande variação entre os participantes.
Enquanto alguns pacientes podem perder mais de 20% do peso corporal, outros apresentam reduções muito menores.
Isso acontece porque a obesidade é uma doença complexa e multifatorial.
Fatores genéticos podem influenciar
A genética tem papel importante na forma como cada organismo responde aos medicamentos.
Diferenças nos receptores hormonais, no metabolismo e nos mecanismos de controle do apetite podem explicar parte dessa variabilidade.
Em outras palavras, duas pessoas usando a mesma medicação, na mesma dose e pelo mesmo período, podem obter resultados bastante diferentes.
Nem toda fome é igual
Os GLP-1 atuam principalmente sobre mecanismos biológicos da fome e da saciedade.
Mas o comportamento alimentar envolve muito mais do que isso.
Algumas pessoas apresentam:
- Compulsão alimentar
- Alimentação emocional
- Ansiedade relacionada à comida
- Episódios frequentes de beliscar
- Transtorno da compulsão alimentar periódica
Nessas situações, o medicamento pode ajudar, mas muitas vezes não resolve sozinho todas as causas do excesso de peso.
O sono faz diferença
Dormir mal altera hormônios importantes relacionados à fome e à saciedade.
A privação de sono pode aumentar:
- Fome
- Desejo por alimentos altamente calóricos
- Resistência à insulina
- Dificuldade para perder gordura corporal
Por isso, pacientes com sono inadequado frequentemente apresentam resultados inferiores aos esperados.
Algumas condições hormonais podem interferir
Doenças como:
- Hipotireoidismo não controlado
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
- Resistência à insulina
- Hipercortisolismo
Podem dificultar o emagrecimento e exigir uma abordagem mais ampla além do uso do GLP-1.
Ganho de massa muscular pode mascarar resultados
Nem toda evolução aparece na balança.
Pacientes que iniciam atividade física, especialmente musculação, podem ganhar massa muscular ao mesmo tempo em que perdem gordura.
Nesses casos, medidas corporais, percentual de gordura e composição corporal fornecem informações mais relevantes do que apenas o peso.
O medicamento não substitui hábitos saudáveis
Os melhores resultados costumam ocorrer quando o tratamento é associado a:
- Alimentação equilibrada
- Atividade física regular
- Sono adequado
- Controle do estresse
- Acompanhamento médico
O medicamento é uma ferramenta poderosa, mas não age isoladamente.
O conceito de “não respondedores”
Na prática clínica, existe um grupo de pacientes chamados de “não respondedores” ou “respondedores parciais”.
São pessoas que apresentam perda de peso menor do que o esperado, mesmo utilizando a medicação corretamente.
Isso não significa falha do tratamento ou falta de esforço do paciente. Muitas vezes, outros fatores biológicos e comportamentais precisam ser investigados.